Da reforma da Constituição à Reforma Agrária: 40 anos luta pelo direitos do trabalhadores e trabalhadoras do campo e fazendo a diferença no Brasil

: Entervista com Alberto Broch da Confereração Nacional do Trabalhadores Agrícolas do Brasil – CONTAG

Fernando Augusto GOLDBACH
08 / 2004

Natural de uma pequena cidade gaúcha (estado do Rio Grande do Sul), de uma família numerosa com 11 filhos e de natureza simples e agrícola, Alberto Broch iniciou a sua militância se envolvendo com movimentos da igreja católica e posteriormente contribuindo e ajudando na direção do sindicato local. Em pouco tempo já estava envolvido na direção da federação gaúcha e para então ser eleito e hoje estar na vice-presidencia da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores Agrícolas). Esse membro ativo se orgulha em contar a história da CONTAG, uma história de 40 anos e que hoje conta com 26 federações associadas, mais de 4.200 sindicatos e mais de 15 milhões de pessoas representadas, sendo a maior organização do gênero no Brasil.

A história da CONTAG é formada com a luta pela reforma agrária, luta esta, que inclusive, orientou a fundação da entidade. Ela tem na sua história conquistas marcantes para a população do campo, como a sua intença luta para inclusão na constituição brasileira de 1988 dos direitos do trabalhador do campo, onde garantiu a sua aposentadoria (55 anos para as mulheres e 60 para os homens). Atuou fortemente para que na constituição fosse garantida a reforma agrária e a função social da propriedade da terra, também pelo reconhecimento das mulheres como trabalhadoras rurais e não como domésticas. Entre outras grandes iniciativas da CONTAG estão as negociações coletivas de trabalho para garantir os direitos trabalhistas dos assalariados no campo e construíndo políticas para manter a agricultur familiar evitando assim o êxodo rural.

Hoje essa instituição continua pensando e lutando pelos homens e mulheres simples do campos, apresentando propostas sólidas e conscientes para um desenvolvimento agrário sustentável no Brasil. Um modelo onde se pensa em todos os aspectos de uma política sólida, onde se contempla a agricultura de subsistência que dá o direito de se alimentar com qualidade a população, onde não se esquece dos cooperativados, de políticas sérias e regionalizadas, levando em consideração o aspecto plural do Brasil e tendo como o alicersse maior a reforma agrária pensando no acesso a terra, a extinção dos latifundios e a preservação do meio-ambiente.

Com um governo popular agora no Brasil, personificado no Sr. Presidente Lula da Silva, trouxe uma maior proximidade nas relações de negociações, tendo maior número de audiências e a presença de líderes políticos em espaços de decisões. Isso trouxe avanços em políticas de fortalecimento da agricultura familiar, dando acesso ao pequeno agricultor a linhas de créditos diferenciadas, auxiliando na comercialização e manutenção do valor de mercado. Esse fortalecimento da agricultura familiar visa enfraquecer o sistema patronal e dá a devida atenção aos pequenos, que hoje produzem 38% do PIB do setor.

Essa proximidade com o governo não altera a condição autônoma da entidade, e das constantes reinvindicações e exigências. Um exemplo claro dessa constante luta é a marcha dos agricultores que os mobiliza em muitas cidades para sairem às ruas e que culminam com a marcha a Brasília, que neste ano contou com mais de 5.000 agricultores acampados na explanada dos ministérios, exigindo uma resposta a uma pauta séria e sólida entregue ao governo, que liberou 7,5 bilhões de reais (aproximadamente 2,6 bilhões de dólares) para financiar a produção agrícula.

A CONTAG segue mostrando a sua importância e seriedade, tranzendo ao primeiro Fórum Mundial da Reforma Agrária sua contribuição compartilhando as experiências de vitórias e derrotas, ajudando na construção de propostas sólidas e anunciando a todos que nossas lutas tem o mesmo objetivo das lutas pelo mundo, a garantia de um modelo sustentável de desenvolvimento, com inclusão social e acesso a terra. Mas também trás ao conhecimento de todos os desafios de um país ainda injusto, que tem mais de 25.000 pessoas reconhecidas pelo governo brasileiro que vivem em situação de trabalho escravo, que tem 75% dos trabalhadores assalariados no campo na informalidade, tendo assim seus direitos suprimidos e ainda mais de 100.000 pessoas em acampamentos da CONTAG e a triste constatação que a violencia no campo continua com tímidas respostas das autoridades competentes.

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